Philip K. Dick’s Electric Dreams – The Hood Maker
Até onde vai a sua liberdade?
EXCELENTE! “The Hood Maker”, apesar de apresentado
em ordem diferente na Prime Video, é o episódio de estreia de “Philip K. Dick’s Electric Dreams”, e é
uma estreia e tanto. Talvez não seja o meu episódio favorito na temporada, mas
certamente é um episódio instigante, bem atuado e com um mundo
interessantíssimo criado e desenvolvido em 55 minutos… eu sou um grande fã de
séries antológicas assim – do trabalho de Philip K. Dick, então, nem se fala.
Baseado em “O Fabricante de Gorros”,
um conto lançado em 1955, “The Hood
Maker” apresenta um mundo meio distópico
no qual uma guerra entre telepatas e os chamados “normais” está prestes a
irromper, e Honor, uma telepata, é “convidada” a trabalhar na polícia ao lado
do Agente Ross, supostamente para ajudá-los a entender os planos dos
manifestantes que são contra os telepatas.
O episódio é
fortíssimo… talvez o episódio mais forte e angustiante de “Philip K. Dick’s Electric Dreams” até o momento: é daqueles
episódios com cenas que causam uma sensação ruim, e de várias maneiras
diferentes… ainda assim, o episódio é muito bom porque todo o novum é brilhantemente apresentado, e
nos investimos depressa nessa história através de seus protagonistas e seus
mistérios. Uma das principais características de “O Fabricante de Gorros” é essa capacidade indiscutível de
apresentar duas frentes que, certas ou erradas, fazem muito sentido: de um
lado, temos os telepatas, marginalizados, tratados como coisas e vivendo em
situações deploráveis, por quem é fácil torcer; de outro, temos um grupo de
resistência que parece clamar por algo muito pertinente, que é a liberdade de
manter os pensamentos para eles mesmos e não serem lidos.
Tudo é
bastante dúbio, e eu gosto dessa polarização e o que a trama faz com ela – são
extremos convivendo de maneira turbulenta durante anos, por isso o confronto
direto é iminente… e Honor é uma peça importante quando é levada para a
polícia. Ela sabe que, na verdade, ela não tem escolha a não ser estar ali, e
ela certamente está na pior posição em
que se possa estar, porque ela não é acolhida, de fato, pela sociedade dos
“normais”, e é vista com todo o preconceito e rejeição com que os telepatas são
tratados, mas, ao mesmo tempo, ela deixa de ter todo o amparo de sua
comunidade, das pessoas como ela, porque eles começam a vê-la como uma
traidora… e o pior de tudo, como vamos descobrindo aos poucos em uma trama bem
conduzida, é que Honor nem sabe direito o que está acontecendo e está sendo
usada por pessoas em quem confia.
“The Hood Maker” é muito bom em
conduzir seus protagonistas, a meu ver – Holliday Grainger tem uma atuação
incrível, que transmite toda a dor, confusão e sofrimento da personagem através
do olhar e da respiração; Richard Madden, por sua vez, tem o toque charmoso e
misterioso que o seu personagem exige, porque ele precisa nos conquistar ao
mesmo tempo em que conquista Honor… e, assim, vemos a relação deles nascer e se
desenvolver, enquanto eles buscam pelo Fabricante de Capuz, um homem que criou
um capuz que é capaz de bloquear os
telepatas. A busca pelo Fabricante de Capuz parece a chave para que eles
impeçam que a guerra entre “normais” e telepatas exploda de uma vez, e eu
fiquei esperando pelo momento do plot
twist… afinal de contas, é um episódio baseado em uma história de Philip K.
Dick: a reviravolta estava por vir.
E vem.
O episódio é
bastante emotivo e doloroso em sua reta final – Ross se aproxima sozinho do
Fabricante de Capuz, sem saber que ele foi seguido por Honor, ou que Honor não
conseguiu (ou não quis?) bloquear seus pensamentos da rede de telepatas, o que
quer dizer que eles também estão vindo…
a conversa que Honor escuta entre o Agente Ross e o Fabricante de Capuz, no
entanto, parece bastante suspeita, porque o Fabricante, o Dr. Thaddeus Cutter,
fala sobre como Ross “é uma arma” na luta contra os telepatas. Como ele não
quer falar sobre isso quando confrontado por Honor, Thaddeus a instiga a ler os
pensamentos dele para entender do que ele está falando, e Honor descobre, para
seu horror, que ela não pode ler Ross… que, mesmo sem capuz, ele é capaz de
bloqueá-la, e que esteve mentindo para ela e a usando durante todo esse tempo.
Quando Honor
está prestes a morrer em um prédio em chamas, Ross pede que ela abra a porta e
que eles fujam dali, mas como ela pode confiar nele? Então, ela pede que ele a
deixe entrar, e essa é uma cena angustiante e triste que nos machuca assim como
machuca Honor: ouvir partes da conversa de Ross com sua superiora que não
ouvimos antes, ouvi-lo falando de maneira tão nojenta sobre Honor, sobre usá-la
para conseguir descobrir o plano dos telepatas e detê-los, ouvi-lo a chamando
de “coisa”. Tudo o que foi construído sobre Ross desmorona, e é interessante
como, nesses poucos minutos finais, o episódio consegue acabar com tudo o que
acreditávamos sobre ele – mas, agora, ele se diz de fato apaixonado por Honor,
depois de conhecê-la, depois de eles trabalharem juntos… o final é muito mais
emotivo do que, de fato, conclusivo.
Mas é uma
escolha interessante e eu gostei bastante do episódio!
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