Doctor Who (5ª Temporada, 1968) – Arco 042: Fury from the Deep

“If anything happened to you, I’d never forgive myself”

A ESTREIA DE UM ELEMENTO IMPORTANTÍSSIMO PARA A SÉRIE E MAIS UMA DESPEDIDA PARA O DOCTOR! Escrito por Victor Pemberton e dirigido por Hugh David, “Fury from the Deep” é o sexto arco da quinta temporada de “Doctor Who”, e foi exibido originalmente entre 16 de março e 20 de abril de 1968, em seis partes – todos os episódios desse arco estão perdidos atualmente, embora a BBC tenha encomendado e lançado uma versão animada dessa história, com o áudio original, em 2020. “Fury from the Deep” é mais uma daquelas histórias que definitivamente não precisavam de seis episódios para ser contada, mas mesmo que não figure entre os meus arcos favoritos, eu gosto da ambientação, gosto da série tentando algo novo, e a despedida de Victoria é bonita.

[Embora eu não fosse lá tão fã da Victoria]

Dessa vez, a TARDIS se materializa no meio do oceano, o que leva o Doctor, Jamie e Victoria até uma praia que é uma área restrita de uma refinaria de gás… é ali, nessa praia, que vemos o Doctor usar pela primeira vez a sua CHAVE DE FENDA SÔNICA – e ela é usada para abrir parafusos, exatamente como uma chave de fenda comum faria… mas ela é sônica, e também é mais rápida e prática do que uma chave de fenda qualquer. Interessante pensar que esse é um elemento adicionado em 1968, ainda na era do Segundo Doctor, e que se tornou tão importante para “Doctor Who” nos anos vindouros. Inclusive, há quem diga que, atualmente, a chave de fenda sônica do Doctor faz coisas demais, e em alguns episódios ela é meio que “deixada de lado”.

Por estarem em um lugar proibido, o Doctor e os demais levam tiros de tranquilizantes naquela política de “atirar primeiro e fazer perguntas depois”. Afinal de contas, não era para eles estarem lá, ninguém sabe como eles chegaram, e algumas coisas estranhas estão acontecendo na refinaria, o que naturalmente vai fazer com que todos pensem que eles estão envolvidos de alguma maneira… e o Doctor tem dificuldade para fazer com que as pessoas levem a sério os seus avisos sobre como existe um barulho dentro da tubulação – um barulho como se fosse de alguma coisa viva. Enquanto os responsáveis pelo lugar seguem em negação e tentando agir como se tudo estivesse normal, um perigo vai se alastrando de maneira consistente… e, quiçá, assustadora.

O perigo enfrentado dessa vez se refere a algas… algas vivas e inteligentes que estão tomando conta da refinaria – que estão atacando pessoas, como parasitas, para torná-las suas hospedeiras. É um tanto sinistro, na verdade, mas é bacana quando “Doctor Who” brinca com esse tipo de elemento, e eu confesso que eu fiquei um tanto angustiado temendo que alguma coisa pudesse acontecer a Jamie ou a Victoria. Especialmente porque Victoria passou a história toda com medo e falando abertamente sobre como ela estava com medo. Em parte, temi menos por Jamie, mesmo que eu goste muitíssimo mais dele, porque eu sei que ele estará em outras histórias ao lado do Segundo Doctor ainda. Isso não quer dizer que ele não passe por situações difíceis nessa história.

Temos humanos sendo tomados por algas, temos pessoas em negação, temos uma “Criatura de Alga” que ameaça sair do oleoduto e fazer sabe-se lá o quê na refinaria, temos o Doctor pilotando um helicóptero à sua maneira (!), e temos um plano do Doctor que depende exclusivamente de Victoria para funcionar… quando ele percebe que as algas parecem ter reagido aos gritos de Victoria e se afastado, ele percebe que o som é uma fraqueza delas, e é justamente isso o que eles têm que produzir. Achei um tanto irônico o fato de que SÃO OS GRITOS DE VICTORIA QUE VENCEM O “MONSTRO” DA HISTÓRIA. Quer dizer, muita gente (eu, inclusive) passou muito tempo reclamando dos gritos da Victoria, e agora é isso que salva o dia, sabe?

Victoria Waterfield termina “Fury from the Deep” tomando uma decisão: ela não quer mais viajar com o Doctor. A trama é espalhada ao longo do episódio nas falas de Victoria e na convicção de que “ela não gosta de sentir medo o tempo todo”. Ela teme o que vai acontecer ali na refinaria, e ela sabe que, quando esse problema estiver resolvido, eles vão entrar na TARDIS e ir para outro lugar onde os perigos se repetirão incessantemente… e ela não quer mais passar por isso. É uma despedida triste, mas uma escolha madura de Victoria, e o Doctor a entende. Talvez isso o machuque, silenciosamente, mas ele a entende e deixa que ela tome sua decisão. Para o Jamie, que se importava muito com a Victoria, é um pouquinho mais difícil, mas ele também se despede…

Então, Victoria fica para trás.

E Jamie e Doctor partem sozinhos rumo ao desconhecido.

 

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