Round 6 2x01 – Bread and Lottery

“Mente acelerada?”

ESTAMOS DE VOLTA! Quando a segunda temporada de “Round 6” foi anunciada, eu confesso que fiquei com bastante receio… dá para perceber, ao assistir à primeira temporada, que a série não foi pensada para ter uma sequência, e ela tinha fechado toda sua proposta e toda a sua mensagem naqueles episódios. O sucesso estrondoso e mundial da série, no entanto, fez com que uma segunda e uma terceira temporada fossem anunciadas – e eu espero que o roteiro consiga manter o seu tom político e crítico, que é o que eu mais gosto na série: a maneira como eles utilizam o choque dos jogos para fazer uma crítica ferrenha à desigualdade social, por exemplo. O primeiro episódio da segunda temporada ainda mostra pouco de como as coisas serão…

Mas é uma boa introdução… ou eu só estava com saudade.

O episódio começa ali na época do encerramento da primeira temporada, quando encontramos um Seong Gi-hun ainda de cabelo vermelho, retirando um chip que tinha sido implantado atrás de sua orelha, e assistimos a Jun-ho despertar no hospital depois do tiro que levara. Aquela sequência dos dois personagens é, a meu ver, a prova de como a série não fora pensada para ter uma continuação – eles precisam mostrar aquilo para poder conectar ao ponto em que a história da segunda temporada de fato começa, dois anos mais tarde… e vemos que nem Seong Gi-hun nem Jun-ho descansaram. Jun-ho virou guarda de trânsito, mas vasculha o oceano em busca da ilha em que os jogos ocorriam; Seong Gi-hun organizou toda uma operação!

Gostei de reencontrar os personagens, e não sei como eles interagirão no futuro, mas esse seria o momento de os vermos trabalhar juntos – Jun-ho procurou Seong Gi-hun anteriormente, antes mesmo de Gi-hun entrar nos jogos, e agora ambos têm mais informação e mais experiência com tudo isso. Atormentado constantemente por sonhos assustadores (a sequência da campainha insistente, o cartão de convite para os jogos e a cabeça dos amigos mortos é de arrepiar!), Seong Gi-hun está há dois anos buscando o homem que recrutava pessoas para os jogos nos metrôs de Seoul. Com pessoas plantadas em todas as estações da cidade (!), Gi-hun finalmente consegue a informação que quer quando o recrutador é avistado…

E o recrutador é um grande destaque do episódio, diga-se de passagem! Do momento em que ele aparece em tela pela primeira vez até a última cena. Seguido a partir do metrô por dois dos homens contratados por Gi-hun, o recrutador tem uma cena de tirar o fôlego na praça onde ele encontra várias pessoas em situação de rua, e lhes oferece uma escolha: pão ou uma raspadinha. Há algo de propositalmente exagerado no personagem, que está ali para demonstrar toda a perversão desse sistema, e seria cômico… se não fosse angustiante. E o mais curioso é como grande parte de quem ele é está muito mais em sua expressão (sutilmente perversa e satisfeita) do que, de fato, nas suas atitudes como quando pisa os pães…

Enquanto isso, Gi-hun, o antigo 456, tenta chegar até o endereço indicado pelos homens que trabalhavam para ele, mas acaba se atrasando porque é parado pela polícia – justamente pela dupla que está trabalhando com Jun-ho, o que é uma “coincidência” das mais irônicas. Em parte, eu fiquei ansiosíssimo pelo encontro dos dois, mas não é Jun-ho quem vai até o carro de Gi-hun… o que não quer dizer que, eventuamente, ele não chegue a seu nome e, assim, tudo volte à tona. É uma boa escolha do roteiro trazer de volta dois personagens já apresentados em “Round 6”, e eu vou ficar um pouco decepcionado se não tivermos os dois trabalhando juntos de alguma maneira… Gi-hun já disse “não” da primeira vez que Jun-ho buscou sua ajuda.

Com o atraso de Gi-hun, ele não consegue chegar a tempo de ver o recrutador, e os dois homens trabalhando para ele, movidos pela ambição do 1 bilhão de wones oferecidos como recompensa, resolvem “pegar o recrutador sozinho” – o maior erro que poderiam cometer, é claro. É fascinante a capacidade que “Round 6” tem de despertar sentimentos de angústia, de revolta e/ou de choque… e a sequência do recrutador com os seus dois prisioneiros é certamente a melhor cena da estreia dessa segunda temporada! Aquela roleta russa (depois a “roleta russa com probabilidades invertidas”) com uma versão mais elaborada de pedra-papel-tesoura é uma sequência de tirar o fôlego. É forte, é doentio… e tem muito a cara de “Round 6”.

Depois de terminado com os caras que tentaram prendê-lo, o recrutador vai atrás de Seong Gi-hun… e é outra sequência F*DA. A maneira como muito é construído no texto e nas atuações é escancarada aqui: que diálogo!!! A satisfação perversa com que o recrutador conta sobre quando teve que atirar no próprio pai trabalhando nos jogos e como foi aquele momento que o fez pensar que “ele tinha nascido para esse trabalho” diz muito sobre ele. É doentio, sim, mas é estranhamente FASCINANTE. Ele sugere a Gi-hun uma roleta russa com regras novas, e a cada girada e a cada gatilho puxado, verdades são ditas, provocações são feitas. Quando Seong dá sorte de sobreviver às 5 primeiras possibilidades de tiro, ele devolve a arma para o recrutador e devolve, também, todo o discurso que ele fizera…

Um quê de deboche, de vitória, mas também meio soturno

E o recrutador termina o jogo atirando em si próprio, conforme as regras, como Seong Gi-hun talvez tenha duvidado que ele faria, mas ele fez quando era sua própria vez – e o recrutador leva o jogo a sério. Então, o primeiro episódio termina com o tiro do recrutador e sua consequente despedida, o que em parte me deixa um pouco triste, porque ele era um personagem e tanto que podia render mais… ao mesmo tempo, ele cumpriu a sua função dentro da narrativa e certamente marcou a temporada mesmo com apenas um episódio, e uma saída impactante. UMA GRANDE SEQUÊNCIA DE ABERTURA PARA A TEMPORADA, HEIN?! O que virá daqui para a frente eu não sei… sinto que foi um episódio com bastante cara de reintrodução…

Mas estou animado!

 

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