The White Lotus 3x05 – Full-Moon Party

“One day, I’m gonna take you down”

QUE EPISÓDIO SENSACIONAL! Até o momento, esse é o meu episódio favorito da temporada, sem dúvida, mas “Full-Moon Party” também figurará dentre os meus episódios favoritos de “The White Lotus” de modo geral. É impressionante o quanto estava acontecendo ao mesmo tempo aqui! Se os quatro primeiros episódios pareceram mais “lentos” (mas não eram, de fato, lentos, porque toda essa tensão estava sendo construída sob a superfície), esse episódio apresenta uma mudança de ritmo notável que é ditada, também, pela trilha sonora, que entrega à narrativa um tom que envolve suspense e misticismo. É um episódio de tensão, de tesão e de virada, mais acelerado do que os demais, e os personagens provam que eles têm muito a entregar…

Essa é a introdução, na verdade, do que veremos na segunda parte da temporada.

E ELA PROMETE!

Acho que “The White Lotus” é extremamente peculiar. Ela é uma série com humor próprio que funciona muito bem a partir do momento que você o entende – ainda que muitas vezes estejamos “rindo de nervoso”, ainda estamos rindo. Esse episódio mesmo me arrancou risadas sinceras em vários e vários momentos: as reações de Victoria à notícia de Piper, por exemplo, ou a reação distante de Tim, graças à preocupação e aos remédios da esposa. Acho que fazer esse tipo de humor que não é necessariamente baseado em piadas é muito mais difícil, e depende demais do texto, da direção e da atuação: “The White Lotus” sabe o que está fazendo, e entrega um episódio que pode ser angustiante, mas também é absurdo, divertido e inteligente.

Piper acabou de anunciar para a família que ela pretende ficar morando na Tailândia… ela queria a companhia de Lochlan para ter essa conversa com os pais, mas ele aceitou o convite para a “Festa da Lua Cheia” (que rende!), então ela tem que fazê-lo sozinha. Piper traz a verdade de que nunca existiu nenhuma tese e que ela convenceu a família a ir até ali porque queria conhecer o templo e o monge de quem lera tantos livros, para realmente ter uma experiência de imersão no budismo – agora, ela pretende ficar ali por pelo menos um ano. Victoria entrega uma série de cenas banhadas em preconceito e não-entendimento, e solta algumas frases absurdamente icônicas, como quando ela pergunta a Piper se “ela quer ficar morando em Taiwan”.

Quer dizer, ELA NEM SABE ONDE TÁ, sabe?!

Tim, enquanto isso, está mais perdido do que nunca… ele sabe que as coisas deram muito errado e que ele pode ser preso a qualquer momento, e agora ele está dopado com os remédios que roubara da esposa, e encontra uma arma na guarita que Gaitok deixou vazia: a receita perfeita para o caos. Eu estou curioso para ver o que vai ser de Gaitok quando ele finalmente explodir, mas não tenho muitas teorias ainda. Em relação a Tim, ele pensa em tirar a própria vida, o que é um ato de covardia porque prefere isso do que ser descoberto, e ele tem uma cena forte na qual ele está escrevendo um bilhete de suicídio e é interrompido por Victoria: ali, ele fala sobre “a pressão que ele tem que enfrentar todo dia” e ela responde que “ele venceu em tudo na vida”.

A ironia desse texto!

E já que estamos falando na Família Ratfliff, talvez o que mais tomou as redes sociais depois da exibição desse episódio tenha sido o beijo de Saxon e Lochlan, mas eu preciso dizer: era óbvio desde o início. Os dois estão com Chloe e Chelsea a caminho da tal Festa da Lua Cheia, e é interessante acompanhar os diálogos em paralelo… de um lado, vemos Chloe conversar com Chelsea sobre a possibilidade de trair o seu marido e sobre a vontade de fazê-lo porque “o mágico” chamou a sua atenção, e é curiosa as nuances do perigo que estão ali; de outro, vemos Saxon entregando a Lochlan uma nova lição (que ele coloca em prática ainda nesse episódio?), sobre como ele precisa “ter confiança para conseguir o que quer” e como “a maioria das pessoas querem ser usadas”.

Destaque para como o texto desses diálogos incluem falas como “Brothers being Brothers” e “Brotherly love”, que se tornam muito mais irônicas com a conclusão do episódio, e aquela “promessa” de Lochlan: “One day, I’m gonna take you down”. Todo o episódio é uma construção da materialização do desejo de Lochlan e dos elementos que tornam a realização desse desejo possíveis, até culminar no momento em que os quatro estão em um quarto e, como um “desafio”, Lochlan é desafiado a beijar o irmão… ele o faz, rapidamente na primeira vez, mas ele retorna para algo mais profundo e demorado logo em seguida. Saxon está completamente perdido, atordoado, chapado; não tenho certeza sobre o Lochlan. Sua expressão parece me indicar que ele está mais sóbrio do que pensamos…

Ele sabia o que estava fazendo. Ele queria fazer há muito tempo.

Dá para sentir a satisfação dele.

Enquanto os mais jovens estão curtindo a Festa da Lua Cheia, Kate, Laurie e Jaclyn saem para uma festa cheia de bebida, música eletrônica e, novamente, muito tesão, com Valentin e os seus amigos. Eu adoro a intensidade da sequência de dança, por exemplo: a maneira como cada detalhe ali transpira tensão sexual, como podemos sentir o desejo exalando dos poros de cada personagem, construindo o clima para o que vemos deles no restante do episódio… a cena da piscina, em primeiro lugar, que é uma maneira diferente de exalar esse tesão; e, por fim, o momento em que uma delas finalmente transa com Valentin, como vem querendo há muito tempo. Aqui, eu preciso comentar: Valentin tem um corpo escultural, mas o que foi a visão daquela bunda?

MEU DEUS, QUE BUNDA MAIS LINDA.

Fiquei até sem fôlego.

Falando em sexo… Belinda está começando a ficar apavorada. Fabian lhe conta que “um hóspede rico do hotel andou perguntando sobre ela”, e ela sabe que não se trata de ninguém tentando galanteá-la, como Fabian parece achar. Na verdade, trata-se de Greg/Gary, que a reconheceu e agora está atrás dela… é assustador, na verdade, e ela tenta falar sobre isso com Fabian, sem resultado algum, e depois ela recorre a Pornchai. Podemos ter surpresas? Sempre, em se tratando de “The White Lotus”. No momento, no entanto, eu AMO o Pornchai. Amo a maneira como ele diz que vai protegê-la, amo a maneira como ele está ali por ela, como ele fica quando ela pede que ele “passe a noite”, e como eles têm uma conversa fofa e hesitante sobre consentimento até se beijarem…

AH, QUE CASALZÃO MAIS LINDO!

(Pornchai é um homem muito, muito bonito!)

Por fim, temos que comentar o que talvez tenha sido o melhor monólogo desse episódio. Rick partiu para Bangkok em busca de sua vingança contra o dono do White Lotus Tailândia, e ele reencontra um antigo amigo que tem o texto mais surpreendente e delicioso do episódio. A intensidade do seu relato sobre sua fuga para a Tailândia, sobre como transava com várias mulheres por noite e como eventualmente percebeu que “queria ser uma daquelas garotas asiáticas” e “queria ser fodido por ele mesmo” é impressionante! O seu relato é potente, sincero e, quiçá, chocante, e por isso ganhamos reações impagáveis do Rick (!), enquanto o amigo entrega tudo com uma naturalidade incrível. “I am her and I’m fucking me”. Sério: O TEXTO DESSA SÉRIE É EXCELENTE!

 

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